quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lily e a boneca

Antes do Natal, tínhamos combinado de dar um triciclo para a Lily, mas resolvemos esperar o Natal passar, porque não sabíamos o que a minha cunhada compraria. Passado o dia, sem triciclos, e depois de ficarmos completamente tontos com a variedade de modelos, decidimos dar uma passada na Toys'r'us para olhar e, possivelmente, escolher um. Olhamos, colocamos a Lily em cima, ela adorou andar de um lado para o outro, mas nós não conseguimos escolher. Fomos dar uma volta no resto da loja, até que chegamos no corredor das bonecas. Enquanto olhava, comentei com o Mike a variedade de biotipos, e disse que quando eu era pequena, a maioria das bonecas eram loiras de olhos azuis.

A Lily adora bonecas, ela tem 3, a Daisy, a Dolly e a Lily, todas de pano. Quando ela viu os bebês, ela ficou doida. Escolheu uma da prateleira, "baby, baby!", abraçou, beijou, agarrou a bonequinha toda feliz. Falei pro Mike, "Vamos comprar a boneca ao invés do triciclo? Depois a gente escolhe um com mais calma", e ele concordou. E ela não desgrudou mais da boneca. Era um tal de "baby, baby" e uma beijação que a gente nunca tinha visto antes.

Quando chegamos no caixa, perguntei pro Mike:

- Você acha que alguém vai perguntar porque a Lily tem uma boneca negra?
- Acho que todo mundo vai perguntar.
- E a gente responde o que? (já pensando em histórias mirabolantes para tirar com a cara de quem perguntar)
- A verdade, oras: que ela escolheu.

E o dia passou sem incidentes, até que no dia seguinte uma das minhas sobrinhas pergunta. Quando estávamos vindo embora, no carro, comentei com o Mike que a Natasha tinha perguntado, e ele disse que, no dia anterior, quando eu saí da sala para fazer a Lily dormir, a outra sobrinha tinha perguntado também. Começamos a conversar sobre isso e eu disse que, acho eu, a maioria dos pais escolhe as bonecas para se parecer com a criança. E então, chegamos à conclusão que o "incidente" era só uma confirmação de algo que nós já acreditávamos: criança nasce sem a noção de preconceito. Para a Lily, é só um bebê, não um bebê negro (ou branco, ou amarelo, ou whatever).

Não acho que as minhas sobrinhas sejam racistas, mas me causa um certo espanto saber que a visão de uma criança semi-branca com uma boneca negra causa estranheza. Espero conseguir educar a minha filha de forma que ela esteja livre dessas visões esteriotipadas e de preconceitos em geral.



PS.: Ninguém ganhou o cd do JayZ hahaha. Eu não ganhei eletrodomésticos, vejam só como fui injusta. O que eu ganhei realmente era algo que eu queria e não estava na minha lista: uma câmera de vídeo Flip. Para filmar a Lily e mandar pra família lá no Brasil! Uhuuuu :D 

8 comentários:

  1. uma vez vi um vídeo no Youtube que mostrava crianças negras rejeitando bonecas negras, pq na cabeça delas eram diferentes ou até malvadas. mas as crianças já eram mais crescidinhas, ou seja, alguém já tinha colocado na cabeça delas que ser negro não era legal. MUITO triste o vídeo.
    super bacana seu post e que bom que a Lilyndinha (!) gostou da bonequinha nova dela! =)
    P.S.: o layout novo ficou lindo!

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  2. Ameeeeei o layout novo!

    E a família gostou muuuuuito de ver os videos da Lily!! *.*

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  3. Pois eu sem muito orgulho costumo assumir um caso de preconceito que ninguém me ensinou. Um dia, eu devia ter uns seis anos de idade, chegou em casa um amigo do meu pai, dirigindo um carrão do ano, muito melhor que o carro da minha família. Até aí tudo bem, tinha uma porção de gente rica que sempre tinha carrões do ano... mas nenhum deles era negro. Eu estava na calçada quando o amigo negro do meu pai chegou com o carrão do ano e fiquei intrinsecamente incomodado com o fato. Alguma coisa não parecia certa. Não falei nada na hora, na frente, mas fiquei me coçando para o cara ir embora e eu perguntar para o meu pai como uma pessoa negra poderia estar dirigindo um carro daqueles. Acho que a pergunta que fiz inicialmente foi: "de quem é aquele carro que o seu amigo está dirigindo?". E meus pais ficaram muito muito bravos comigo por eu pensar uma coisa assim. Mas hoje, quando penso em retrospecto... como eu poderia saber? Eu estudava numa escola em que UMA ÚNICA criança era negra, e ela era filha da doméstica de da casa de outra criança da escola. Todas as crianças negras que eu conhecia eram paupérrimas, não tinham carro, poucas tinham TV COLORIDA em casa e 98% tinham mães que eram empregadas domésticas (enquanto as mães das crianças brancas eram professoras, advogadas, médicas, etc.). Eu não nasci com preconceito racial, mas passei meus primeiros 6 anos de vida observando pessoas brancas ricas e pessoas negras pobres... como eu poderia saber? Eu achava que o mundo era assim e pronto! Achava que os negros nasceram para ser pobres. E tenho certeza que uma porção de gente que ler isto aqui vai me achar uma pessoa horrível por isso... e eu posso até ser, mas eu não era uma criança de 6 anos horrível, e acho que eu não tive culpa quando fiz minha primeira pergunta racista. E deveriam os meus pais ter me alertado? Deveriam eles ter dito: "olha, todas as pessoas negras que você conhece são pobres, mas isso é apenas COINCIDÊNCIA, ok?". Foi o que me disseram quando eu perguntei sobre o carrão do amigo negro do meu pai, mas ninguém me falou antes. Será que deveriam ter falado? Será que eles tinham medo de falar porque sequer tocar no assunto seria uma atitude racista? Difícil.

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  4. Que lindo que ficou o blog!! Acho que a boneca da Lily merecia uma foto. Fiquei curiosa! Bjs

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  5. Ana, que post lindo!! Eu também quero ver fotos da Lily com o "baby, baby". E eu ia perguntar qual foi o seu presente, hahaha. Muito legal. Bem, eu nunca tive uma boneca oriental quando era criança. A não ser, bonecas de louça, de enfeite, que não dava pra brincar. Eu também tinha bonecas loiras de olhos azuis :-DDD

    O novo layout ficou bem bacana mas o que eu mais gostei foi do Lilypie (tinha antes e eu que não percebi?).

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  6. Obrigada, meninas, estou escrevendo uma página só pra falar sobre os gráficos! :)

    Gate, não acho que isso faça de você uma pessoa racista. Te causou estranheza uma situação diferente do que você estava acostumado, e por mais que a sua reação tenha sido racista (ainda que involuntariamente), teus pais te orientaram quanto a tua atitute. Às vezes a gente esquece que o ambiente também ensina.

    No caso das minhas sobrinhas (eu ia escrever no post, mas esqueci), no lugar onde elas moram, a população negra é muito pequena. Meu marido mesmo disse que a primeira vez que ele viu uma pessoa negra, ele tinha 5 anos. Era tão diferente do que ele conhecia que ele ainda se lembra.

    O que eu não curto no questionamento é o fato de fazer parecer que é errado uma criança ter uma boneca com a cor da pele diferente da dela. No caso da Lily, nem branca ela é (apesar de ser bem mais branca que eu), mas se eu tivesse dado uma loirinha dos olhos azuis, aposto que ninguém perguntaria.

    Nívea: vou tirar sim :) das duas abraçadinhas.

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  7. Beth: tinha sim! Mas acho que ficou mais evidente agora.

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  8. Adorei o visual novo do blog, e adorei a historia do bebe pretinho da Lily... Eu sempre quis uma Barbie negra, mas na época em que eu brincava de Barbie, acho que nem existia, hoje existe, ainda bem!
    O problema com as bonecas nao é so que sao brancas de olhos azuis, mas que impoem esse padrao de beleza nas pobres menininhas antes mesmo delas comecarem a pensar nisso... brancas, loiras, de olhos azuis, magras, perfeitas...
    A boneca preferida da minha irma era uma boneca com orelha de abano (mesmo, e era muito), nós a chamávamos de orelhuda, e ela recebia muito amor, independentemente do seu "defeito físico".

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