domingo, 24 de julho de 2011

Quando o Kurt Cobain morreu, eu tinha 14 anos. Me lembro nitidamente da comoção e do que eu pensei na época: nêgo enche o koo de droga e se mata e ainda tem um bando de bobo para ficar chorando - mais ou menos nesses termos mesmo. Nota-se que eu não era lá muito fã de Nirvana, e que se existisse blog naquela época, até ameaças de morte eu teria recebido. Mas nota-se mais ainda como eu era simplista.

Ontem, quando fiquei sabendo da morte da Amy, fiquei triste. Triste pela perda musical, triste pelos pais dela - principalmente o pai, que parecia sofrer muito com isso tudo, triste pela vida que se foi. E fiquei mais triste ainda por descobrir que, pelo mundo afora, um monte de gente pensa como eu quando eu tinha 14 anos. Como se a vida fosse simples assim.

Muito fácil para mim, do alto da minha vida quase-sempre-feliz, em que o máximo da tristeza é não passar num exame para carteira de motorista, acusar os outros de qualquer coisa, sem saber quais são realmente os seus problemas, seus fantasmas, seus motivos. Há 17 anos, o morreu porque quis me parecia a resposta plausível, hoje me parece cruel. Teve inclusive quem sugerisse que Amy morreu de propósito (!!), entrar no tal clube dos 27. Muito cruel.

Uma moça de 27 anos morreu, vítima das drogas. É uma notícia triste, independente de quem fosse a moça - triste principalmente para quem era próximo dela. Para quem não era, acho que deveria ser um mero detalhe.  E não se trata do velho clichê depois que morre, todo mundo vira santo. A verdade é que ninguém é santo, mas por que deveríamos nos focar no que houve de ruim, quando o que ela fez de bom é o que vai ficar - música de qualidade incrível, superior à grande maioria do que foi produzido no período? E olha que nem sou fã de carteirinha, mas negar isso é impossível.

Espero que daqui alguns anos não se lembrem mais dos vexames, dos barracos, mas ainda se emocionem com suas canções. E espero mais ainda que o universo me perdoe pela pequenice dos meus pensamentos adolescentes e que eles não se voltem contra mim um dia.

PS: Um dos nomes de menina que eu mais gostava era Aimée, que foi sumariamente vetado pelo Mike por causa da Winehouse (sim, na Inglaterra Aimée e Amy se pronunciam da mesma forma), dizia que na escola ela seria zoada por causa da quase-xará. Sinal que esperávamos que ela vivesse bem mais...

3 comentários:

  1. gostei do post Ana, expressou tudo q eu penso sobre o caso da Amy, morri de do dela e olhe que nem conhecia as musicas dela direito, ontem bati boca com meu cunhado (irmao do marido) no face pq ele tava gargalhando pelo fato dela ter morrido, hoje me arrependo de ter discutido, ele so tem 16 anos.... mto novinho p/ entender essas coisas da vida!

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  2. Pois eh, tanta piada em torno dessa pobre coitada. Fico com pena dos pais tambem. As cancoes vao ficar pra historia, voce vai ver... e ela vai ser lembrada pelo talento. Uma pena ter sido tao cedo...!

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  3. nao gostava da musica da amy e achei uma sacanagem o que ela fazia com o publico, mas agora, qdo lembro dos fas aplaudindo cada tropeco e piti que ela dava, penso q eles mereciam mesmo pagar 600 merreis pra ver a coitada pagando mico.

    tem quem fale que "ela nao tinha doenca alguma, ela que procurou". bom, eu acho que quem da um teco pela primeira vez ja nao tava muito feliz, ne? pessoas felizes nao acordam e dizem pra si mesmas "hoje vou cheirar e beber todas".

    tambem fiquei com pena do mitch winehouse. ele tinha panca de trambiqueiro, mas com certeza amava a guria.

    ai, e tive que rir do "nêgo enche o koo de droga" hehe.

    beijos

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